segunda-feira, 1 de dezembro de 2008




A escada


Durante quase nova anos ela subiu e desceu aquela escada; devagar, vezes depressa, algumas vezes sonolenta. Fizera sexo nessa escada. Outras vezes pendurara enfeites no Natal. Parada agora estava, no ponto exato entre o sopé e o topo - olhando o homem estendido no chão, lá embaixo. Um fio vermelho partia de uma das narinas dele.Ele treme muito levemente: sua mão no corrimão,tão ávida por segurança.Porém,aos poucos,um a um, conseguiu vender os degraus,passar ao largo do corpo e chegar à porta- esses que foram os passos mais duramente firmados de toda a sua vida.

Lá fora a espera uma claridade tão grande que chegava a ser violenta. Uma manhã de sol como nunca.

Um dia particularmente tranqüilo.







Nenhum comentário: