quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009





-Vê, pequenina? A noite do amor está sorrindo.
-E também é poeta!
-A noite de amor tem três sorrisos, este é o primeiro, entre a meia-noite e o amanhecer, quando os jovens apaixonados abrem seus corações e seus corpos. Veja, no horizonte, há um sorriso tão meigo que é preciso ficar em silencio para poder vê-lo.
-Jovens apaixonados...
-Ficou emocionada, minha pequenina?
-Por que eu nunca fui uma jovem apaixonada? Sabe me explicar?
-Minha menina, console-se. Há poucos jovens apaixonados neste mundo, é quase possível contá-los. O amor os atinge como uma benção e um castigo.
-E o resto de nós?
-O resto de nós?
-O que será de nós?
-Nós invocamos o amor,gritamos por ele,imploramos,buscamos,tentamos imitá-lo, achamos que o possuímos e contamos mentiras sobre ele.
-Mas nós não o temos.
-Não, meu docinho. A nós foi negado o amor por amar. Não temos essa benção, nem o castigo.
-Nem o castigo.
-Nem o castigo...

[...]

Sonhos de uma noite de verão.

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