quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Annaïs




Autor: Gudrun Brangwen

Da primeira vez que a vi, julguei-a insuportável.
Já os cabelos ruivos anunciavam sua forte personalidade que, ao encontro com a minha, também forte, provocara-me uma certa repulsa, instantânea e gratuita. Acho que mútua.
Acontece que passada a tempestade da primeira impressão, veio a tempestade da segunda; e da terceira.
Foi quando percebi que a cada encontro, casual, claro, o incômodo que sua presença me causava crescia vertiginosamente.
Porém, este incômodo logo começava a se diluir em minha mente e, agora, esquentava meu peito, depois ardia, depois queimava e assim progressivamente, até o momento em que me surpreendi plenamente apaixonada.
Comecei então a dormir Caio, acordar Clarice, almoçar Rosa, lanchar Rachel, jantar Carlos e assim por diante.
Depois você já sabe, vieram os olhos brilhando, a alegria constante, a música romântica, a poesia e, certamente, as crônicas.
Nada aconteceu. Como sempre.
Ela nem ao menos soube. Mas durante certo tempo e ainda hoje, este amor que transformou meus dias e devolveu-me a crença de que um dia ele me seria possível, acompanha-me desde que cheguei a Paris.


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