quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Oh! Yeah.

Existe coisa pior
que estar sozinho
Mas, frequentemente leva décadas
para você perceber isso
E geralmente
quando você percebe
é tarde demais.
E não há nada pior
do que
tarde demais.
Autor: Charles Bukowski

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010


Quero te dizer também que nós, as criaturas humanas, vivemos muito (ou deixamos de viver) em função das imaginações geradas pelo nosso medo. Imaginamos conseqüências, censuras, sofrimentos que talvez não venham nunca e assim fugimos ao que é mais vital, mais profundo, mais vivo.

Lygia Fagundes Telles em As Meninas

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Carta aos incomensuravelmente sábios.

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"Explicar alguma coisa a alguém é, antes de mais nada, demonstrar-he que não pode compreendê-la por si só"
(Jacques Rancière - 'O mestre ignorante').

(Aviso aos navegantes: "Os sábios não sabem por você" (D. Q. M.)
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domingo, 21 de fevereiro de 2010

'Se houvesse um censo de quantas vezes uma mulher se apaixona por uma miragem ao longo da vida, os números, com certeza, surpreenderiam os pesquisadores mais experientes.'

- David ter juntado minha bolsa esfarrapada do chão foi o suficiente para eu perder o sono por ele. Para eu persegui-lo no buffet, gastar uma fortuna em táxis, errar a contabilidade da empresa em que trabalhava, sonhar barbaridades a qualquer momento do dia, horário comercial incluído. Alguém já disse que as mulheres não se apaixonam por uma pessoa, e sim pelo amor.
Eu arriscaria um adendo: e as mulheres feias não se apaixonam pelo amor, e sim por um fiapo de amor-próprio.



Claudia Tajes em A Vida Sexual da Mulher Feia

sábado, 20 de fevereiro de 2010




O amanhecer é uma festa para convidados que estão dormindo.


Carlos Drummond de Andrade


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010


Pintei estrelas no muro e tive o céu ao alcance das mãos.
Helena Kolody

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Então você não quer mais que eu venha?, disse ela. É íncrivel como as pessoas repetem
o que acabamos de lhes dizer, como se corresse o risco de ir para fogueira ao acreditar em seus próprios ouvidos. Disse a ela para vir de vez em quando. Eu conhecia mal as mulheres, naquela época. Ainda as conheço mal,aliás. Os homens também. Os animais também. O que conheço menos mal são minhas dores. Penso nelas todas, todos os dias, é rápido, o pensamento vai tão depressa, mas elas não vêm todas do pensamento.[...]Aliás, conheço mal também minhas dores. Isso deve ser porque não sou apenas dor. Aí está a astúcia. Então me afasto, até o espanto, até a admiração, como de um outro planeta. Raramente, mas é o bastante. Nada cretina, a vida. Ser apenas dor, como simplificaria as coisas! Ser todo-dolente!




By: Beckett, Samuel [1906 - 1989]


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

INTERLIGUE-TRANSFORME-VÁ CRESÇA- Masturbe sua cabeça para uma explosão Policromática! E não para uma explosão de sangue, como a Tal Monocromia!

Sued

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ouça, querida...não fique assim com essa mentalidade de donzela florentinesca, não separe com tanta precisão os heróis dos vilões, cada qual de um lado, tudo muito bonitinho com nas experiências de química. Não há gente completamente boa nem gente completamente má, está tudo misturado e a separação é impossível. O mal está no próprio gênero humano, ninguém presta. Às vezes a gente melhora, Mas passa...

Lygia Fagundes Telles em Ciranda de Pedra

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O Tato do Meu Pênis

(by: Donatien Auch)

O Tato do meu pênis.
Ele Tocou variadas vaginas
Acariciou diversas mãos
Preencheu algumas bocas
Esfregou-se em muitos seios
Cutucou poucos cús.
É como diz Wittgenstein:
"A única certeza que nos resta
é a capacidade de agir do nosso corpo"
Amém.


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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Trottoir



Minhas fantasias eróticas, sei agora,
eram fantasias do céu...
Eu pensava que sexo era a noite inteira
E só de manhãzinha os corpos despediam-se.
Para mim veio muito tarde
a revelação de que não somos anjos.
O rei tem uma paixão - dizem à boca pequena -,
regozijo-me imaginando sua voz,
sua mão desvencilhando da fronte da pesada coroa:
'Vem cá, há muito tempo não vejo uns olhos castanhos,
tenho estando em guerras...'
O rei desataviado
com o seu sexo eriçável mas contido,
pertinaz como eu em produzir com voz,
mãos e olhos quase estáticos, um vinho,
um sumo roxo, acre, meio doce,
embriaguez de um passeio entre as estrelas.
A voz apaixonada mais inclino os ouvidos,
aos pulsares, buracos negros no peito,
rápidos desmaios,
onde esta coisa pagã aparece luminescente:
com ervas de folhas redondinhas
um negro faz comida à beira do precipício.
À beira do sono, à beira do que não explico
brilha uma luz. e de afoita esperança
o salto do meu sapato no meio-fio
bate que bate.



Autor: Adelia Prado

IF (es)

Zuleika dos Reis 


Se não te conferires
- de preferência ainda nesta vida


para não te pores a aguardar
ad infinitum
aquela certidão

passada em cartório
com assinatura de Deus
e firma reconhecida

a mesma que o Vinícius
não teve permissão para trazer 

ao amigo Sérgio Buarque de Holanda
(segundo testemunho de fonte
talvez apócrifa)
um simulacro de identidade
seja lá de quê ou de quem
jamais deixarás de ser
mero poema anacrônico
e pior, anônimo.
Oh, meu filho
ou filha,( se neste momento
consegues crer, ao menos,
pertenceres tu
ao sexo feminino
ainda que
apenas do ponto de vista linguístico)
-virtual, se preferires,
para estarmos up-to-date.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

SOBREVOO RASO POR TRECHOS DO NOVO MILÊNIO








                          à memória de José Paulo Paes
Tabuleiro medieval.
As tochas iluminam a Morte e o cavaleiro
no jogo que prossegue...


Algumas torres se preparam para a morte
outras, não. Enquanto isso, desde o primeiro lance,
os peões tremem.

Sem os peões, o jogo não existe.

O morto no campo de batalha



olha o inimigo e pensa:
Esse está mais morto do que eu.

O outro morto:
Você se engana.

A seguir se quedam calados
sobre a terra.
É impossível dialogar
com o inimigo.

Atravessamos o milênio
e daí?
Não vejo qualquer diferença
no rio.

Eu vejo:
Acaba de passar
um cardume morto.

Se você pretende
atravessar comigo
neste barco
até o outro lado
da linguagem
é mais seguro ir nadando.

Você consegue ver
este outro lado
da linguagem?

Que nada!
Parece que o rio vai longe.

Talvez - ainda é tempo -
sábio seja
deletarmos rio
barco fazendo água
passageiros...

Ou permanecermos
no ínfimo do deus





                             tal os múltiplos
                             os tantos
                             ainda aqui
                             reinventando liras
                             reinventando perguntas
                             reinventando o pânico dos antigos.

Pelas ruas, o pânico dos velhos caminha lento...



Minha eternidade pelo reinado de um dia.
Só libélulas são felizes.

As diversas tribos, cada qual balançando
em seu ritmo próprio
vão puxando alegremente a passeata
por aumento de salários.



Meu corpo silicônico absoluto perfeito
não precisa de futuro. Identidade?
Excesso de bagagem, problemas na Alfândega.


Me vendo na TV, no cruzamento da Ipiranga
com a São João.
Na telinha também os meus guris
os demais companheiros
os nossos piolhos
os carros estacionados.
Que belo enquadramento! Estamos ótimos!


Zuleika dos Reis

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Georges Bataille

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"Para os outros o Universo parece honesto. Parece honesto para as pessoas de bem porque elas têm os olhos castrados. É por isso que temem a osbcenidade."
(Georges Bataille)


Isso mesmo!
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