segunda-feira, 12 de julho de 2010

Piva morreu!

Puta que pariu!
Que merda!
Pau no cú essa Dona Morte!
Rameira dos infernos!
Levou o poeta paranóico,
o poeta pederasta,
o poeta putaria,
o poeta Piva.
Mas é como dizem: " A vida continua"
Então eu me pergunto: "Tá bom! A vida continua; mas e a morte,
a morte pára?"

À Roberto Piva.

domingo, 11 de julho de 2010

Quando a gente é forte. - quem se afasta? muito fresco, - quem cai no rídiculo? Quando a gente é mau, que fariam de nós?
Se arrume, dance, ria. - Nunca pude mesmo jogar o amor pela janela
 
Por: Rimbaud
Em: Iluminuras
(Frases  - pag. 37)

sábado, 3 de julho de 2010

Álcool e literatura ou por que os escritores bebem?

Chame de arte, ciência ou alquimia. Seja o que for, a coquetelaria, ou como a chamam atualmente, a drinkologia, é uma atividade de firmes raízes no mundo anglo-saxão.
Os países latinos e/ou mediterrânicos da Europa, com sua tradição vitivinícola, se aprimoraram na sutileza e nos rituais de consumo dos seu produtos. O resto da Europa do norte foi fundo no desenvolvimento da cerveja, originária no Oriente Médio. E o coquetel moderno não existiria sem o desenvolvimento da destilação do álcool, que, inventada pelos árabes antes do século X, só se torna comum na Europa por volta do século XV.
O ciclo dos descobrimentos teve como fator fundamental a busca por especiarias, que passaram a ser usadas pelos monges nos mosteiros para a produção de licores, como o Benedictine. O comércio das aguardentes de cana, a cachaça e o rum, era um dos pilares do comércio colonial. Estava tudo ali. Álcool destilado, sabores exóticos de frutas e ervas, mas ainda assim faltava o ingrediente anglo-saxão!
As aventuras navais britânicas levaram às necessidades etílicas do seu povo, grande consumidor de cervejas e tradicional importador de vinhos da França e de Portugal, para lugares desprovidos de opções de qualidade. Daí que os porões dos navios transportassem rum, nem sempre de boa qualidade, para a ração diária da tripulação. A solução? Misturar com outros sabores.
Um dos mais antigos coquetéis é o grog, justamente a combinação destes dois produtos que fizeram a fortuna de britânicos, o rum e o chá. Aliás, o rum foi consumido por mim e por muitos outros, por muitas gerações, mais como leitura do que em sua forma líquida.
Explico: como Jorge Luis Borges, sou um apreciador de literatura anglo-americana de aventura do século XIX. E a menção ao rum é líquida e certa em qualquer livro que trate de tipos populares, seja em Melville, Stevenson ou Dickens. Os personagens sorviam litros e litros desta aguardente do Caribe.v A sofisticação de uma certa classe popular na Inglaterra e nos Estados Unidos, o aumento da mobilidade social e das viagens internacionais transformou gradativamente a taberna com estalagem no hotel com um bar. Bar este frequentado por gente de todo tipo que, se não bebia vinho de boa qualidade ou a popular cerveja, buscava ali alguma experiência etílica mais elaborada.
A literatura está repleta de menções a bares de hotéis, Algonquin, Ritz, o Plaza de Nova York, etc, assim como de alguns bares também famosos e reincidentes nos livros, o 21 Club, Harry's Bar de Veneza, La Bodeguita del Medio de Havana, etc.
Podemos dizer que a coquetelaria foi disseminada, divulgada e carregada de charme através dos livros e de filmes de Hollywood. De Sam Spade a James Bond, chegando até "Piratas do Caribe" e "Medo e Delírio em Las Vegas", nada e ninguém fez mais pela coquetelaria do que escritores e roteiristas, responsáveis por criar personagens que bebem. Salvo, é claro, a lei seca e os grandes barmen do mundo.
O curioso é que muitas vezes o escritor acaba representando a si mesmo. A verdade mais profunda é que o álcool fazia parte da vida destes artistas. A ligação álcool e criatividade é antiga. Eficácia comprovada ou não, principalmente na literatura americana, o consumo de bebidas fortes é quase uma condição sine qua non do grande escritor. Ou ao menos de um certo tipo de escritor.
Menciono isto pois outro dia caiu em minhas mãos um livrinho despretensioso, simples mas muito bem feito. Chama-se justamente "Guia dos Drinques dos Grandes Escritores Americanos" (editora Zahar).
Escrito por Mark Bailey (não sei se tem relação com o licor do mesmo nome) e ilustrado por Edward Hemingway (também não sei se tem parentesco com o Ernest), traz em cada página par uma caricatura do escritor, uma frase espirituosa, uma nota biográfica e um pequeno caso anedótico. Na página ímpar, uma receita de drink e um trecho de obra do autor em questão que mencione bebida.
Tudo de maneira bem-humorada e informativa. E está todo mundo lá: de Lillian Helmann a Tenessee Williams, de Jack Kerouac a Edmund Wilson, de Jack London a Truman Capote. E as citações destes mestres são impagáveis. Das minhas preferidas:
"Beber fazia pessoas desinteressantes terem menos importância e, tarde da noite, não terem importância alguma". Lillian Hellman
"Só a luxúria e a gula valem alguma coisa". John Steinbeck
"Bebo exatamente o quanto quero, e um drink a mais". H.L. Mencken
O livrinho explora tão deliciosamente a relação literatura e bebidas que, para ser perfeito, deveria ser líquido e em dose dupla! Aqui vai uma receita de Stinger tirada da página dedicada a H.L. Mencken:
"Criado durante a Lei Seca, para encobrir o gosto da bebida de má qualidade dos bares clandestinos. As pessoas ou adoram ou detestam esse drinque, feito para se beber depois do jantar. Vamos nos arriscar a dizer que Mencken o adorava. Afinal certa vez ele afirmou: 'Sou oníbulo. Tomo todas as bebidas alcoólicas conhecidas e gosto de todas elas'.
45ml de conhaque
45 ml de creme de menta branco
Coloque os ingredientes em um copo misturador cheio de gelo. Bata bem. Coe para um copo de coquetel gelado. Para uma versão mais seca, aumente em 15ml a medida de conhaque e subtraia o mesmo volume de menta".

Texto de Mauricio Tagliari

Outro Maluco-Gênio: Tom Zé.

Mas por que o refrão "Tô ficando Atoladinha" é um refrão ou um "Metarefrão Microtonal e Polisemiótico"?

Esse merece reconhecimento de ruma!!!

Hermeto Pascoal falando sobre Miles Davis

Maconha - Ventania

não olho pela janela, porque não existe na "minha" casa.