quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Hora da Estrela

[...] eu quero sentir o sopro do meu além. Para ser mais do que eu, pois tão pouco sou.
Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e seu desespero. E agora só queria ter o que eu tivesse sido e não fui.
(Página 21)

Por: Clarice Lispector

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