segunda-feira, 25 de abril de 2011

Henry Miller.

O mundo ao meu redor está se dissolvendo, deixando aqui e acolá manchas de tempo. O mundo é um câncer que está comendo a si próprio... Estou pensando que, quando o grande silêncio descer sobre tudo e todos, a música triunfará por fim. Quando tudo se retirar de novo para o útero do tempo, o caos será restabelecido, e o caos é a página sobre a qual a realidade está escrita. [...]

Henry Miller 
In: Trópico de Câncer

Henry Miller

domingo, 24 de abril de 2011



Quando ela disse:
''Olha, terminou o amor', veio uma dor clara e o mundo se abriu.




Arnaldo Jabor

sábado, 23 de abril de 2011

Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...


Florbela Espanca

segunda-feira, 18 de abril de 2011

SAMPLER

De: Júlio Siqueira
 

 Na contramão de cada percurso distingue-se devaneios e extremidades,como loucos procurando a saída num barco naufragado,mas com o mar a volta para lembrar do longo caminho; desejamos por ventura que não houvesse obstáculos mas, uma vida num deserto evitaria a presença movediça dos fantasmas? 
Calo sobre o espiral do olhar dos outros, observo a estranha boca cheia de razões dos meus amigos,seus padrões de vidas anti-redomas,vitrines para longos modelos de invulnerabilidades prodigiosas. 
Mas num vento contrário, que racha o leme e parte o remo do tratado do equilíbrio, acudimos o espelho com longas massagens que gemem em Lagrimas, tanto para o assassino como para o anjo, a paz é desejada sedentamente, a diferença é o grau da estrada passageira. 
Recolho-me, e os pés da multidão desviam-se como água ao redor da rocha,quero apenas o afago intrometido da paisagem recriada,minha insatisfação abre uma fissura na gravidade me expando junto aos universos. 



Poema para o livro

“Onírico Percurso por dentro do movimento” de Júlio Siqueira

sexta-feira, 15 de abril de 2011

21 MIL SENTIDOS

De: Júlio Siqueira

E então, que quereis?...


Se sou redemoinho és estático e sem ar,
se sou água és deserto,
se sou nuvem és céu azul cinza,
se sou poeta és a página vazia...


E então, que quereis?...


se atravesso os descampados, foges pelo mar,
se corro nas rodovias ensurdecedores, vais de bicicletas pelas trilhas imperfeitas,
se mergulho em Grutas oníricas, sentas sobre a rocha na ponta das montanhas íntimas...


E então, que quereis?...


se morro, renasce,
se sobrevivo estais prestar a desfalecer,
se assola-me a febre, em ti abraça-te o calor do sol das manhãs,
se naufrago, te atolas,


E então, que quereis?...


Se dialogo, gritas
se grito silencia com passos distantes,
se distancio torna-te frio,
se esfrio, afunda no esquecimento,
se permaneço quem eu sou, nao mudas,
se por alguns instantes convergimos
foi como linhas se cruzando
antes de se tornarem imaginárias
na memória volúvel do tempo.











POEMAS PARA O LIVRO
“ONÍRICO PERCURSO POR DENTRO DO MOVIMENTO” de Júlio Siqueira

segunda-feira, 11 de abril de 2011

a metafísica é uma mocinha


Simão Pessoa           



                  a metafísica é uma mocinha
muito bonita e prendada
não tivesse um caso nebuloso 
com o processo ôntico do tempo
                  juro que trepava com ela

A boca do meu homem

Angelica de Lis (1984-2009)


Amo cada parte do teu corpo.
Mas tua boca, meu amor, a tua boca
Priva-me dos sentidos no torpor da excitação.
Teus lábios quando tocam os meus...
Arde em mim o desejo de entregar-te
O meu corpo, como se fosse a primeira vez.

Tua voz sussurrando em meu ouvido
Palavras ternas, obscenas, sacanagens
Me conduzindo a momentos selvagens,
Me deixa hipnotizada, de vontade de te ter.
Te ouço chamar meu nome: eu me rendo,
Estou no teu enlace, sou tua, faz amor comigo, faz...

Teu hálito. Ah!, teu hálito, meu amor
Como é bom acordar com a brisa fresca
Que tua boca emana pela manhã
Esse cheiro de aurora, de despertar, de tesão,
Cheiro que perfuma meu corpo, meu dia
Minha vida. Não me canso de cheirar tua boca!

E a tua língua. Tua língua na minha face
Sôfrega, me lambendo, regando a minha pele
Com tua saliva doce, de lúpulo e hortelã.
Tua língua no meu sexo, me lavando e me levando 
Ao delírio do prazer: eu grito eu gemo eu choro e gozo 
Na tua boca – e sorves o meu mel, teu alimento.

Na tua boca, meu amor, eu me perco. Não quero
Nunca me encontrar, nem beijar outra boca
Que não seja a tua, onde no teu beijo eu sou feliz
E em cada palavra pronunciada, regada de tesão
Misturada ao teu hálito fresco, eu me dou sem medo
Pedindo mais e mais a tua língua dentro de mim.