sexta-feira, 12 de agosto de 2011

As Coisas


A bengala, as moedas, o chaveiro, 
A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, os naipes e o tabuleiro,
Um livro e em suas páginas a desvanecida
Violeta, monumento de uma tarde
Sem dúvida inesquecível e já esquecida,
O rubo espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora. Quantas coisas,
Limas, umbrais, atlas, taças, cravos,
Servem-nos, como tácitos escravos, cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão para além de nosso esquecimento
Nunca saberão que partimos em um momento.


(Jorge Luis Borges) 
em: Elogio da Sombra

Um comentário:

Tamára Roots disse...

a morte só existe para nós.

paz e luz,
http://tamararoots.blogspot.com/