segunda-feira, 16 de março de 2015

Em novo endereço!

Queridos leitores,


Após alguns meses inativo, o grupo  Cartas para Ninguém se reuniu novamente para retomar o nosso projeto que sempre foi tão querido. Para melhor divulgação estamos com a página no Facebook e o endereço do blog ficará  ativo apenas de recordação.
Estamos cheios de planos para o Cartas para Ninguém, aguardem!






sexta-feira, 13 de março de 2015

NO LIMIAR DE UM TÊNUE LÍQUIDO FLUTUANTE

Pintura de James Ensor



Espero desde já, encontrar os descaminhos. Cansei de caminhar. Cansei do espaço e do rumo. Rumar, algo tão inverossímil quanto às celebridades gélidas na tela intocável. Quero descaminhar e depois desconsertar. Soltar-me como um balão e ser visto como aquele foguete que jamais retornou de sua peregrinação científica. 


Todos os incongruentes marginais da manhã se rendem ao asfalto agonizante. Mães e filhas inertes a tudo. Jovens que poderiam estar estudando as longas impregnações da existência se diluem em xícaras ocultas que despencam rumo ao chão feito de páginas úmidas, portanto, prontas a serem rasgadas brutalmente pelo trânsito assassino.

O poema é um artifício eternamente mundano. A passagem de um cometa tem mais atemporalidade que a passagem de um verso. Todavia, ambos gemem no imaginário sangrento das veias das tardes e ajudam – como uma sopa ao moribundo – o mundo pálido a reescreve seus tópicos que deveremos seguir. Há um sem-fim de roucas introduções do que poderia ter nos acontecido. 

Sim, os descaminhos novamente. Pretendia descaminhar-me a fim de um fim. Uma saliva escorre entre meus parágrafos e borram as delinquentes vírgulas do destino. Deveria exclamar interjeições medonhas e embrulhar estes pensamentos em sacos de lixos escuros, para ninguém jamais ler. Mas a contradição é uma condição humana. Como o mar profundo onde o tubarão insaciável vão buscar alimento, como os cães que tremem sonhos involuntários nos campos abertos. Descaminhar – novamente - aquilo que por ventura perdemos, a paixão do sentir, o outro.

Descaminhar para recriar – e depois dos algodões dos cinzentos céus – aquilo que não acabara por não ter sido levado pelas enchentes. Quero vaporizar e depois jorrar a mim mesmo em algum lugar rochoso. 

Talvez virando oceano, entenderei o que os poetas dizem sobre as profundezas.




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João Roc

quinta-feira, 12 de março de 2015

domingo, 1 de março de 2015


Quisera desabar sobre ti
como chuva forte.
As coisas são boas quando destroem
e se deixam destruir.
Só assim eu venho:
eco de profundas grutas,
nada leve
uma irrealidade
estar aqui.
Só sei amar assim
- e é assim que te lavro, deserto.


OLGA SAVARY (n.1933)

"Todas as sabedorias que as ciências do mundo apresentam, são
ciências de sábios sofredores e por isso, todos sofrem. O mundo
baseia-se em sabedorias de sofredores e quem se baseia em ciências de
sofredores tem que sofrer também, porque o seu saber não adianta
nada, pois continuam sempre sofrendo. Sofrem os que sabem, os
sábios, sofrem os que nada sabem e sofrem os que dizem que sabem."


Universo em Desencanto - Vol. 01
“De tudo ficou um pouco 
Do meu medo. 
Do teu asco.” 

Carlos Drummond de Andrade